Crescer o rebanho sem margem é multiplicar problemas. Entenda a sequência lógica para ter lucro real na pecuária.
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Em 13 anos de estudos estatísticos sobre resultados de fazendas, vimos que quatro variáveis explicam a maior parte do lucro; em muitos casos, mais de 75% do resultado total. Você pode imaginar que são fatores como qualidade de solo, chuva, localização ou genética. Mas, na prática, o que realmente explica o desempenho é lotação, desembolso/cabeça, ganho médio diário (GMD) e valor de venda. Com o apoio dos brilhantes analistas Luigi Cavalcanti e Fábio Toral, qualificamos o impacto dessas variáveis em cada safra 2013. Foram muitos ciclos pecuários de alta e baixa, mas o segredo do resultado é um só: ganhar peso a baixo custo.
Os dados mostram de forma clara: quanto maior o GMD, maior o resultado; quanto maior desembolso, menor a rentabilidade. O valor de venda atua positivamente, mas em intensidade muito menor do que o ganho médio diário. Em outras palavras, é o desempenho dos animais e não o preço da @ que sustenta o resultado econômico de uma fazenda.
Quem é do "boi" sabe que capricho em detalhes como manejo de pastos, qualidade da água e boa apartação de lotes aumenta o ganho de peso sem elevar o custo. Esses cuidados aparecem nas estatísticas. Em praticamente todas as análises, o GMD é o fator mais poderoso na formação da margem.
Dentre as quatro variáveis, uma merece destaque especial: a lotação. Há momentos em que o aumento da lotação impulsiona o resultado, e outros em que dá-se o contrário. Isso ocorro porque lotação é consequência, não causa. Ela deve ser uma conquista e não uma imposição. Crescer o rebanho com custo alto ou sacrificando o GMD é caminhar para trás.
O desafio é criar condições estruturais e gerenciais para aumentar a lotação com eficiência. E isso começa garantindo o desempenho individual. Primeiro, aumenta-se a taxa de desmame, depois o número de matrizes. Primeiro, melhora-se o ganho de peso, depois aumenta-se a lotação. É uma sequência lógica e inegociável: a margem vem antes do volume.
A obsessão por números de cabeças pode ser um grande inimigo da rentabilidade. Não se trata de defender fazendas com baixa lotação, mas de priorizar o crescimento sustentável, aquele que respeita a capacidade forrageira e a estratégia de seca. Uma fazenda rentável precisa garantir, no mínimo, 500 kg de matéria seca armazenada por UA antes de pensar em expandir. Em sistemas bem manejados, cada unidade animal pode gerar resultados equivalentes a 3@/ha.
Por exemplo, uma fazenda com lotação média de 1,5 UA/ha/ano tem potencial para gerar R$ 1.350/ha, cálculo feito com base na arroba a R$ 300. Esse é o potencial, não a média. Se o objetivo é alcançar R$ 2.000/ha, será necessário superar 2 UA/ha, sempre nessa ordem: 1º o GMD; depois, a lotação.
O equilíbrio entre ganho e volume é o ponto mais delicado da gestão pecuária. É ele que separa as fazendas que crescem com solidez daquelas que apenas crescem o rebanho. A verdadeira eficiência está em fazer cada animal entregar resultado, e só depois multiplicar o número deles. Dá satisfação ver o rebanho crescer, mas esse é um direito a ser conquistado, não um ponto de partida. Primeiro, é preciso construir margem sólida, pastos equilibrados e GMD consistente para seguirmos rumo às 2, 3 ou 4 UAs/ha. Mas sempre lembrando: crescer sem margem é multiplicar um problema e crescer com eficiência é multiplicar valor.
Autor: Antonio Chaker – Zootecnista e diretor da Inttegra
Publicado pela revista DBO
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